Há 10 dias em solos sertanejos. Tempo suficiente para perceber que a vida caminha em ritmo diferente. Logo que cheguei me impacientava com a falta de pressa das pessoas. Mesmo sem me dar conta, inicialmente, ficava me perguntando "como podem não ter pressa desse jeito?!" Será que o mito da bahianidade é verdade, e não mito?!
Mas o povo daqui em quase nada se assemelha aos bahianos do recôncavo; à bahianidade midiaticamente propagada. No falar, no andar, no agir, no olhar ... mais parecem mineiros. Aqui ou ali escuta-se um "môça!", "quentim!", e por ai vai. Engolem-se as vogais da última sílaba das palavras. Olham-nos desconfiados. Falar alto? Ainda não encontrei esse! Começo a achar que o sertão de cerrado que se estende de minas até as bandas de cá, e outras bandas à oeste, abriga uma mesma população em termos sócio-culturais!!! Mas antes de mim, muito antes de mim, descobriu isso João Guimarães Rosa. Mas ainda há muito por ser descoberto, vivido.
Logo acontecem os primeiros choques linguísticos : macaxeira aqui chamam aipim, jerimum é abóbora, massa puba é povilho, e não ouse chamar jaleco de bata. Afora o sotaque, as interjeições, e outras coisinhas que se revelam coisonas! Outro choque é o fato de ninguém, absolutamente ninguém, conseguir te explicar como chegar de um lugar para o outro. Mesmo o lugar sendo na rua seguinte, ou por mais simples que seja o caminho, todos ou apontam dizendo que é melhor que vá com ele/ela ou com alguém que saiba ir, ou te levam no lugar! Uma vez quase perco a paciência... respirei fundo, e pensei comigo mesma "paciência! respira! pergunta de outro jeito. tenta de novo"... Aos poucos vou entendendo o lugar, as pessoas. E descobrindo o quão forte é a formação cultural do ser humano; sentindo na própria carne, nas próprias idéias.
O que mais tô gostando é do clima (friozinhooo) e do tempo... Há tempo pra tirar um dedo de prosa despretensiosamente, pra olhar o horizonte e descobrir uma paisagem nova, pra respirar melhor...
Sobre o trabalho...
Alessandra, coordenadora da atenção básica e Lorena, a enfermeira que será da mesma equipe que eu, foram alunas de tia Alba na UESB! Mais um motivo pra me considerar em casa. :) As duas são muito comprometidas, corretas e não fazem corpo mole pro trabalho. Tô gostando :)
Durante esses dias estou fazendo apenas atendimentos ambulatoriais aqui na sede do município (na UBS) e em Olhos Dágua do Seco, num pequeno consultório. Olhos Dágua é um dos 3 maiores distritos daqui. Semana que vem faremos as primeiras reuniões com a equipe completa entre si e com a comunidade para que todos compreendam a proposta da estrategia de saúde da família. Hoje participei da reunião do Conselho Municipal de Saude e foi bem aceito o informe de que pretendemos ter um conselho local funcionando na nossa unidade. Em maio, se tudo correr como previsto e no ritmo que estamos, a unidade começa a funcionar! =) A estrutura é toda nova, dentro das normas do Ministério da Saúde e tudo mais. Quem sabe Jaques Wagner vem pra inauguração?!!! :P Hauhauhauhau O povo PLlista, carlista, daqui ia estribuchar!!!! Mas política no interior é um capítulo à parte que se der vontade escrevo num outro email...
Beijos para tod@s : meninas, mulheres, meninos e homens!!!
Saudades.
Mas o povo daqui em quase nada se assemelha aos bahianos do recôncavo; à bahianidade midiaticamente propagada. No falar, no andar, no agir, no olhar ... mais parecem mineiros. Aqui ou ali escuta-se um "môça!", "quentim!", e por ai vai. Engolem-se as vogais da última sílaba das palavras. Olham-nos desconfiados. Falar alto? Ainda não encontrei esse! Começo a achar que o sertão de cerrado que se estende de minas até as bandas de cá, e outras bandas à oeste, abriga uma mesma população em termos sócio-culturais!!! Mas antes de mim, muito antes de mim, descobriu isso João Guimarães Rosa. Mas ainda há muito por ser descoberto, vivido.
Logo acontecem os primeiros choques linguísticos : macaxeira aqui chamam aipim, jerimum é abóbora, massa puba é povilho, e não ouse chamar jaleco de bata. Afora o sotaque, as interjeições, e outras coisinhas que se revelam coisonas! Outro choque é o fato de ninguém, absolutamente ninguém, conseguir te explicar como chegar de um lugar para o outro. Mesmo o lugar sendo na rua seguinte, ou por mais simples que seja o caminho, todos ou apontam dizendo que é melhor que vá com ele/ela ou com alguém que saiba ir, ou te levam no lugar! Uma vez quase perco a paciência... respirei fundo, e pensei comigo mesma "paciência! respira! pergunta de outro jeito. tenta de novo"... Aos poucos vou entendendo o lugar, as pessoas. E descobrindo o quão forte é a formação cultural do ser humano; sentindo na própria carne, nas próprias idéias.
O que mais tô gostando é do clima (friozinhooo) e do tempo... Há tempo pra tirar um dedo de prosa despretensiosamente, pra olhar o horizonte e descobrir uma paisagem nova, pra respirar melhor...
Sobre o trabalho...
Alessandra, coordenadora da atenção básica e Lorena, a enfermeira que será da mesma equipe que eu, foram alunas de tia Alba na UESB! Mais um motivo pra me considerar em casa. :) As duas são muito comprometidas, corretas e não fazem corpo mole pro trabalho. Tô gostando :)
Durante esses dias estou fazendo apenas atendimentos ambulatoriais aqui na sede do município (na UBS) e em Olhos Dágua do Seco, num pequeno consultório. Olhos Dágua é um dos 3 maiores distritos daqui. Semana que vem faremos as primeiras reuniões com a equipe completa entre si e com a comunidade para que todos compreendam a proposta da estrategia de saúde da família. Hoje participei da reunião do Conselho Municipal de Saude e foi bem aceito o informe de que pretendemos ter um conselho local funcionando na nossa unidade. Em maio, se tudo correr como previsto e no ritmo que estamos, a unidade começa a funcionar! =) A estrutura é toda nova, dentro das normas do Ministério da Saúde e tudo mais. Quem sabe Jaques Wagner vem pra inauguração?!!! :P Hauhauhauhau O povo PLlista, carlista, daqui ia estribuchar!!!! Mas política no interior é um capítulo à parte que se der vontade escrevo num outro email...
Beijos para tod@s : meninas, mulheres, meninos e homens!!!
Saudades.
Escrita em 18 de abril de 2007 (Ibitiara-BA).
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