Fim de tarde de sábado de páscoa. Depois de muito chão, paisagens lindas avistadas pela janela do carro e um único erro de percurso [nosso "controlador de vôo" não estava de greve mas deu bobeira] chegamos a Ibitiara recebidos pelo portal com essa frase : "acolher-te é o nosso dever". Fala com um, pergunta a outro, anda mais um pouquinho... chegamos ao hotel são jorge - uma casa modesta adiministrada por dona Leopodina, senhora cujo tempo de vida não apagou a beleza nem a memória. Logo nas primeiras conversas despejou todos seus conhecimentos sobre a história do Brasil ao saber que assim como tio Gunga tivera sido funcionária da Petrobrás. Deixamos os 'panos de bunda' e fomos voltear pela cidade.
Localizada entre montanhas, Ibitiara possui todas as casas de alvenaria, todas as ruas calçadas, saneadas e com iluminação pública. Até onde tem casa, tem calçamento. E nem pensem que é uma rua central e meia duzia de transversais formando um lugarejo qualquer. No meio da cidade tem uma lagoa protegida por uma mureta para que os motoristas mais devisados e os pedestres mais ébrios não tchibunguem água adentro. Ao redor várias ruas dispostas aleatoriamente. Casa pra todos os gostos. Muro alto, cerca elétrica, grades, anúncios de cão de guarda? Nem pensar. A paz reina! Dormir de janelas e portas abertas não é coisa do outro mundo. Fecha-se para se protejer do frio ou da chuva, mas não dos seres humanos.
Minha casa sem número fica ao lado da secretaria de saúde. Na praça da catedral enorme construida pela Padre Aldo Coopola, dono do hospital filantrópico do municipio e pai de muitos filhos. Isso mesmo: pai de muitos filhos!!! Andei sabendo que não é o único clérico-pai da região... O nome da Praça "Pró-XX" é marca deixada pela 'brigada' do projeto Rondon que cá esteve nos idos dos anos 70. Descendo a rua chegamos à prefeitura, ladeada pelo Bar do Luiz, empresário de fim-de-semana e vigilante do Banco do Brasil. O Banco fica do outro lado da ponte sobre a lagoa. Pertinho tem : a agencia do Correio [que também é agencia do Bradesco], a lotérica, um supermercado, um armarinho, uma loja de confecções e outros comércios menores. Ainda não comprei minha bicicleta mas de amanhã não passa.
Esses dias foram dedicados a conhecer o lugar e as pessoas, acertos de trabalho e mudança. Já tenho meu quarto, com guarda-roupa, cama e uma varandinha legal. A casa é pequena mas tem primeiro andar. O mais legal é a paisagem [embora tenham outros lugares em termos de paisagem na cidade] e minha companheira de moradia e trabalho: Roberta, enfermeira da unidade de saúde daqui da sede do municipio. Gente finissima! Simples, sem frescura, ativa, comprometida com o trabalho, e, assim como eu, tem 24 anos e adora cantar nas horas vagas.
Já conheci meio-mundo de gente na cidade, e ja conheci também o municipio vizinho [Seabra] onde trabalharei alguns fins-de-semana. O povo daqui renderá uns e-mails à parte, mas vocês têm algo comum : vocês se espantam porque que eu vim pra cá, eles se espantam porque que eu vim dai !!!
Ao meu irmão puliça e ao meu pliminho juju [depois de pegar ar - hauhauhauhauahau - vocês num prestam] digo apenas que tragam os apetrechos que queiram, mas despreocupem-se com cadeados, grades, coletes a prova de balas, e outros utensílios necessários à vida na selva de pedras que se tornaram nossas capitais. E venham me visitar logo, seus alminhas, que já tô com saudade :P
Chêro grande.
Escrita em 12 de abril de 2007.
Um comentário:
Eita amiga,que bom,encontrastes tantas veredas e tão pouco sertões..., nonada, saudades que eu sinto...nonada naum.
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