Não passou da primeira semana. Conforme planejado e desejado, na primeira sexta-feira em Ibitiara - 13 de Abril - comprei minha magrela numa das 3 lojas de eletrodomésticos da cidade: Eletrônica Pereira! Roxa com prata, quadro feminino, cestinha, bagageiro, protetor de corrente e paralamas... Linda!
Empolgada fui mostrar a Dona Leopoldina achando que movimentaria o fim-de-tarde da minha primeira anfitriã, agora vizinha de rua, e ela falou:
- É né, minha filha! Começa assim... mas daqui a uns dias vocês compra um carrinho.
Conversamos um bocado, ela contando histórias dela no Rio, inclusive de uma senhora de posses que andava de bicicleta, mas fiquei com aquela primeira frase na cabeça...
Ser médica no interior é diferente. Sobretudo pelo "a" no final: medicA. Na primeira reunião com os agentes comunitários de saúde, sem jaleco, sem salto alto, falando de igual pra igual, não exitaram em dizer que pensaram que eu fosse assistente social. Atendendo pacientes não é raro ouvir: "Mas tão novinha!!!" Adotei então o jaleco de volta, e o anel de formatura. Não me renderei a saltos-alto facilmente. Isso não!
Fim-de-semana passado fui pra Salvador visitar Nau e Lua, e resolver minha transferência pro Cremeb. Percebi melhor o quanto gosto, ou me acostumei, à rotina das cidades grandes. Poder andar como mais alguém na multidão, sem se preocupar, sem importar se tem diploma, se é mulher, se é preto ou branco... Também tava sentindo falta de movimentação, barulho, e sobretudo de atividades de lazer e cultura.
Fomos à Bienal do livro, muito legal embora esperasse mais. No sábado a noite, me preparando pra viagem do outro dia cedinho, comecei a sentir falta de passar mais um tempo ali, poder ir ao cinema, ou teatro, à um show... Às 10 pras 8hs decidi, e desci do apartamento pra pegar a peça "Vixe Maria : Deus e o Diabo na Bahia" que começava às 8horas, no ACBEU. Claro que não tinha mais ingressos...mas falando da minha situação de "isolamento cinemato-teatrístico" para a coordenadora do espetáculo, ela conseguiu um lugarzinho pra mim :) Excelente!!! Depois conto pra vocês o enredo... Me acabei de rir. Muito mesmo. No final me arrepiei ao som "Chame Gente", de Moraes Moreira ( "Ah, imagina só, que loucura que é essa mistura. Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia. De todos os santos, encantos e axés. Sagrado e profano o bahiano é ..." ) E ontem descobri uma expressão pra definir como ando me sentindo: peba. Mas peba no bom sentido; não de coisa sem valor, de má qualidade, etc. Peba, de pe + ba, pernambuco + bahia. [tia Udeilda prefere dizer pernambahiana]
Ainda tenho o costume de comparar as coisas mas vou procurar parar com isso porque tenho percebido que vendo, exercitando a empatia, entenderei melhor as pessoas/costumes/necessidades do que através da comparação. Melhor recorrer à história do que à comparação entre culturas.
Hoje saio do meu primeiro plantããããooo [hein, pai?] em Seabra de volta a Ibitiara. Último dia de Micareta. A micareta da paz. Em outros lugares a gente diz : "a cidade pára por causa da festa"; lá a gente diz "a cidade se movimenta por causa da festa". Mas será que a doutora pode dançar axé em praça pública? Me arrisco não. Até porque tô desatualizada nos passinhos. Vou me ater a arriscar andar de bicicleta que já anda chamando bem a atenção dos ibitiarenses. Pelo menos é sinal de cuidado com a saúde ;)
"Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar,
b-i-c-i-c-l-ê-tê-a
sou sua amiga bicicleta"
"Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar,
b-i-c-i-c-l-ê-tê-a
sou sua amiga bicicleta"
(Toquinho)
Beijos, beijos.
Saudades!
Beijos, beijos.
Saudades!
Escrita em 29 de Abril de 2007 (Ibitiara-BA)
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