domingo, 2 de setembro de 2007

tal coisa

Há dias que parecem programados para pôr à prova nossas escolhas. Esses dias têm sido assim pra mim.
Ao decidir sair do lugar onde vivi minha vida inteira para morar e trabalhar em outro lugar tão distante e diferente julgava ter noção de como seria essa experiência. Hoje vejo que noção nenhuma substitui a vivência em si. Sonho e concretude são complementares, mas jamais se permutam!
Dentre tantas vivências que me fazem pensar nisso conto uma...
Em vinte e quatro horas passei por um parto demorado e uma morte rápida. [[morte e vida estão sempre presentes em minhas reflexões, não é? na verdade estão nas de todos nós ... acredito]] Fui testada em minhas aptidões e habilidades obstétricas porém me sai melhor como ‘neonatologista por necessidade’! Vi a dor de uma família ao “perder pra morte” um ente querido que já chegou falecida ao hospital e só concretizar isso ao ouvir de minha boca: "morreu".
Mas como diz o samba – “Deus dá o frio conforme o cobertor” – tratou Ele de me mandar um cobertor em forma de humano aos oitenta e muitos anos de sabedoria por apelido Filhinho, que agradeceu a mim pela atenção e pelos cuidados prestados mesmo após ter feito uma palestra sobre a vida que me arrancou lágrimas, levando junto o peso do coração e uns vinte nós da garganta.
Alguém pode estar se perguntando: e porque esse nome ‘tal coisa’ para o texto? No começo da escrevinhança coloquei como uma homenagem a Seu Filhinho, que fala “tal coisa” onde comumente usamos “isso”, “aquilo”. Agora acho que ‘tal coisa’ também serve pra falar de um sentimento que a gente sente quando está crescendo. Algo como se fosse uma mistura de descontentamento, serenidade, raiva, saudade, ... Como se fossem todos eles ao mesmo tempo, sem ser nenhum deles! Quem já passou ou sentiu deve saber do que tô falando.

PS: Felicidades aos macacos : Asas, Alfred e Iza. =*

(Seabra - BA)

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