sexta-feira, 29 de junho de 2007

veinte y cinco años

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...
(Gonzaguinha)

(Recife - PE)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

pra[t]inha

Água também é mar
E aqui na praia
também é margem

Já que não é urgente
Aguente e sente
aguarde o temporal

Chuva também
é água do mar lavada
No céu imagem
Há que tirar o sapato
e pisar
Com tato nesse litoral

Gire a torneira,
perigas ver
Inunda o mundo,
o barco é você

Na distância, há de sonhar
Há de estancar

Gotas tantas não demora
Sede estranha

Água também é mar
E aqui na praia
também é margem ...

(Marisa Monte - Arnaldo Antunes Carlinhos Brown)



O fim-de-semana me deu de presente uma inusitada, bela, aconchegante e renovadora praia sertaneja por nome Pratinha. Litorânea desde sempre, andava me sentindo mais "peixe fora dágua" do que nunca pela distância do mar. O encontro com as águas da chapada misturadas ao som de linguas diversas, de sotaques diferentes, de bichos, do vento soprando entre as montanhas, e ao silêncio da Lapa Doce foi um presente há muito planejado e aguardado. Parece ter vindo em boa hora! Renovador!!!
(Chapada Diamantina - BA)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

?

Entendeu? ... Nem eu!! Só lendo mesmo...

Posto a capa desse livro porque além de ser inusitado ver o cristo redentor estanpado na capa de um livro por título A Saga de um Baiano na Cidade de São Paulo, me faz lembrar das muitas histórias de tantos de baianos sertanejos que conhecem aquela terra mas nunca puseram o pé em Salvador. É ...

(Ibitiara-BA)

um casal e vários espantos

Alguém conhece algo mais desgastante, desanimador, entediante, que a rotina? Descobri por esses dias que além de todos estes efeitos a bendita ainda é capaz de nos tirar a percepção, o poder de observação. Sem percepção, sem sensibilidade para enxergar algo novo (ainda não descoberto) nas pessoas, nas relações, na paisagem, nas situações... Transformamo-nos em seres autômatos. Semi-máquinas capazes de fazer, fazer e fazer. Até podemos passar a fazer o de sempre de uma maneira melhor, mais ágil, mas dificilmente faremos de uma maneira diferente, que gere transformação.

Há dias não conseguia escrever. Pensamentos e sentimentos não me faltavam. Faltava sair da mesmice. Respirar. Pegar na água. Pedalar. Sentir o vento bater no rosto sem a zoada de qualquer motor por perto. Se entregar ao ócio e ao movimento criativo... Descansar. Porque a rotina trás um cansaço mental de dar dó!

Engraçado é que me pego lembrando que esses dias não fiz apenas “o de sempre”. E começo a achar que estou atribuindo à rotina algo que é fruto muito mais do cansaço. Disputas sobre quem é mais responsável à parte... esse “casal” é um saco! De maneira que tenho que tratar de me livrar deles e o triunvirato junino me ajudará nisso. Tomara!

Agora são vocês que devem estar entediados, né!? Com esse meu blá blá blá catártico. Vixi! Passemos aos fatos....
Semana passada aconteceu a II conferência municipal de Assistência Social. Durante as palestras me espanto com a exposição da coordenadora do Bolsa Família : “2.500 [duas mil e quinhentas] famílias beneficiadas no município”. O susto não foi automático. Levou o tempo do pensamento: se a população é cerca de 16mil habitantes, o que daria 4mil famílias, MAIS DA METADE das famílias recebem o benefício! “Recebem” não é a melhor palavra; correto é dizer “dependem”. O sertanejo depende do “programa de complementação de renda” do governo federal, assim como das chuvas, da remuneração dos donos da terra (por aqui algo em torno de R$10,00 por dia), e sobretudo do “Deus dará”! Espanta a força de uns, e a apatia de muitos. Espanta a imensidão de terra de uns, e a sequidão da terra de muitos. Espanta a ganância de uns às custas do sacrifício de muitos. Espanta saber que tanta riqueza é produzida, e ser tão pouco o que se devolve aos que deram uma vida. Espanta ver que o que deveria ser motivo de espanto se naturaliza, e ao se tornar natural se camufla na paisagem. Espanta ver tantos irem tentar buscar em terras longínquas a riqueza que deveriam poder tirar de sua própria terra, do seu lugar.

Era pra falar dos fatos mas virou catarse de novo... Pelo menos ficou poética. Acho!
Melhor parar por aqui e recorrer a outra arte que me traga inspiração às escrevinhanças...
Saudade d’ocês!
(Ibitiara-BA)

domingo, 3 de junho de 2007

bla bla bla

Há dias em que palavras inexistem, ou se existem dispersam-se facilmente frente a qualquer tentativa de junção. Todos os pensamentos, sensações, vontades, vêm à mente, mas só olhos, ouvidos, tato, olfato e percepção / sensibilidade - sobretudo esta última - são capazes de transmitir o que se vivencia.
Hoje necessito falar, me expressar, mas sou capaz apenas de dizer dessa vontade e de largar algumas palavras e expressões : "ao deus dará" , "apatia" , mesmice , dependência , sistema , água aqui / seca acolá , vida , fome , ratos , homens , urubus , imensidão , piquenês , "o de sempre" , "mais de mesmo" , "tem mas tá faltando" , possibilidades , permacultura , ... , desencanto ,"pra onde vai tanta riqueza?" , "cumpadre meu Quelemém, me diga se penso bestagem?" , força dos braços / fraqueza da mente , novamente imensidão...
Amanhã quem sabe?
Por hora volto ao Guimarães Rosa!