Era pra ter sido o mais frio, não foi. Era pra ter sido o mais calmo, não foi. Julho já se foi sem ter sido o que eu esperava...
Em Junho decidi desacelerar o ritmo de trabalho para poder não ficar tão cansada, conseguir ler mais, estudar mais. Mas os prenúncios não se cumpriram por completo e no lugar da calmaria vieram acontecimentos intensos. Começando pela oficina sobre a Fundação Estadual de Saúde da Família [no Congresso da Abrasco] elevada à categoria de mais nova e melhor solução para a expansão e consolidação do SUS. Espanta qualquer trabalhador atento por não se constituir uma verdadeira estratégia de resgate dos direitos trabalhistas. Não queremos continuar vivendo na pele a Emenda 3 porém CLT flexibilizada e Fundação Estatal de Direito Privado não é a reforma do estado brasileiro que almejamos. Decepciona ouvir que não há outra saída, não temos correlação de força pra reimpulsionar o nosso sistema único por outras vias, ainda mais quando essa avaliação parte de vozes de companheiros...
Na semana seguinte, na primeira conferência municipal de saúde de Ibitiara, após as palestras de abertura, levantei esse debate mas o tema não ecoou, havia apenas 3 ou 4 pessoas a par do que se tratava. Mesmo assim o espaço não perdeu sua importância! Conseguimos reunir boa parte dos trabalhadores de saúde e quase todos os líderes comunitários. Em um dia inteiro de trabalho, sem grandes contra-tempos ou atrasos, elaboramos metas para a saúde do município nos próximos 2 anos de maneira bastante clara e suscinta. Já tinha participado de outros espaços de controle social. Me impressinou como pode ser rico, propositivo, claro e plural um espaço de debate público quando há vontade pra que isso aconteça apesar de qualquer limitação temporal ou da pouca aproximação da maioria das pessoas com os aspectos técnicos que envolvem os debates. Essa pessoinha que voz fala – como alguns já devem estar imaginando - não só virou coordenadora de grupo de última hora como foi eleita delegada pra conferência estadual de saúde representando os trabalhadores de saúde do município. Mainha deve estar pensando : "essa menina não tem jeito!" É mais ou menos por ai... [risos]
Quem já leu até aqui deve estar pensando que esse mês só vivi de debates. Foi quase isso!
Eu diria que Julho foi de andanças que continuarão Agosto adentro... Começamos a visitar as localidades atendidas pelo nossa unidade de saúde: vila nova, coqueiros, areias, serrinha ... Quando a gente mora em "cidade grande" geralmente não tem idéia de quão grande podem ser as "cidades pequenas". Afinal de contas estamos falando da Bahia - os que já atravessaram esse estado em quaisquer veículo automotivo têm noção do que eu estou falando. Pois então... A região que engloba os povoados atendidos pela nossa unidade de saúde é grande pra caramba! Sob morro, desce morro. Passa chão de terra batida, chão de areia fina, de terra vermelha, de terra marrom, caminho largo, caminho estreito ... e nada das estradas se acabarem! Fazer um mapa da área só usando GPS!!! Vamos levar 6 ou 7 dias [distribuídos em quase 2 meses] pra conhecer tudo. Tudo ... da nossa área: largo, tamboril, olhos dágua, frios, unha-de-gato, caraibas, brauninha, riachão, caldeirão, capão, tiririca de baixo, tiririca de cima, paus de gamela. Lá pro final de setembro vou poder dizer que conheço uma parte de Ibitiara. Seria esse lugar pequeno?! Há quem diga que sim... eu não me atrevo mais!
Também conheci outros povoados : caibongo [onde mora o prefeito], mocambo [na parte do município que fica abaixo da serra da mangabeira, região que a maioria das pessoas conhece como catinga] e alvinópolis [já na cidade vizinha : Ibipitanga] - graças aos novos companheiros de aventura Lenice e Tiago.
Por fim, vai uma piada contada por Iraildes, vulgo Véia, prima de Lenice, anfitriã de primeira, da terra do rio Cochó:
"A princesa ia fazer 15 anos. E pediu ao Rei um papagaio como presente de aniversário poucos dias antes da festa. O Rei pediu a um serviçal da corte que fizesse de tudo pra conseguir o bendito do animal. O único bicho da espécie encontrado na região foi um que trabalhava num brega.
O presente foi colocado na portaria do castelo para que todos os convidados vissem. O povo ia chegando e o papagaio dizendo:
- Vai entrando! Vai entrando! Beijo é 10. Abraço é 20. Foto é 50!!!
Lá pras tantas alguém foi avisar ao Rei o que o animal estava fazendo. O Rei mandou trazer o bicho. Prendeu ele bem com as mãos e deu seis tiros ao redor:
- Tá vendo esses tiros? Se você não parar com essa conversa na portaria o próximo vai ser nos seus miolos!!!
E mandou o bicho de volta.
Na portaria o animal passou a receber os convidados dizendo:
- Vai entrando! Vai entrando! Beijo é 10. Abraço é 20. Foto é 50!!! Já teve uns tirinho ai, mas Brega é assim mesmo!!!"
Que bom que nem tudo é como a gente espera!
Seabra 05 de Agosto de 2007
Em Junho decidi desacelerar o ritmo de trabalho para poder não ficar tão cansada, conseguir ler mais, estudar mais. Mas os prenúncios não se cumpriram por completo e no lugar da calmaria vieram acontecimentos intensos. Começando pela oficina sobre a Fundação Estadual de Saúde da Família [no Congresso da Abrasco] elevada à categoria de mais nova e melhor solução para a expansão e consolidação do SUS. Espanta qualquer trabalhador atento por não se constituir uma verdadeira estratégia de resgate dos direitos trabalhistas. Não queremos continuar vivendo na pele a Emenda 3 porém CLT flexibilizada e Fundação Estatal de Direito Privado não é a reforma do estado brasileiro que almejamos. Decepciona ouvir que não há outra saída, não temos correlação de força pra reimpulsionar o nosso sistema único por outras vias, ainda mais quando essa avaliação parte de vozes de companheiros...
Na semana seguinte, na primeira conferência municipal de saúde de Ibitiara, após as palestras de abertura, levantei esse debate mas o tema não ecoou, havia apenas 3 ou 4 pessoas a par do que se tratava. Mesmo assim o espaço não perdeu sua importância! Conseguimos reunir boa parte dos trabalhadores de saúde e quase todos os líderes comunitários. Em um dia inteiro de trabalho, sem grandes contra-tempos ou atrasos, elaboramos metas para a saúde do município nos próximos 2 anos de maneira bastante clara e suscinta. Já tinha participado de outros espaços de controle social. Me impressinou como pode ser rico, propositivo, claro e plural um espaço de debate público quando há vontade pra que isso aconteça apesar de qualquer limitação temporal ou da pouca aproximação da maioria das pessoas com os aspectos técnicos que envolvem os debates. Essa pessoinha que voz fala – como alguns já devem estar imaginando - não só virou coordenadora de grupo de última hora como foi eleita delegada pra conferência estadual de saúde representando os trabalhadores de saúde do município. Mainha deve estar pensando : "essa menina não tem jeito!" É mais ou menos por ai... [risos]
Quem já leu até aqui deve estar pensando que esse mês só vivi de debates. Foi quase isso!
Eu diria que Julho foi de andanças que continuarão Agosto adentro... Começamos a visitar as localidades atendidas pelo nossa unidade de saúde: vila nova, coqueiros, areias, serrinha ... Quando a gente mora em "cidade grande" geralmente não tem idéia de quão grande podem ser as "cidades pequenas". Afinal de contas estamos falando da Bahia - os que já atravessaram esse estado em quaisquer veículo automotivo têm noção do que eu estou falando. Pois então... A região que engloba os povoados atendidos pela nossa unidade de saúde é grande pra caramba! Sob morro, desce morro. Passa chão de terra batida, chão de areia fina, de terra vermelha, de terra marrom, caminho largo, caminho estreito ... e nada das estradas se acabarem! Fazer um mapa da área só usando GPS!!! Vamos levar 6 ou 7 dias [distribuídos em quase 2 meses] pra conhecer tudo. Tudo ... da nossa área: largo, tamboril, olhos dágua, frios, unha-de-gato, caraibas, brauninha, riachão, caldeirão, capão, tiririca de baixo, tiririca de cima, paus de gamela. Lá pro final de setembro vou poder dizer que conheço uma parte de Ibitiara. Seria esse lugar pequeno?! Há quem diga que sim... eu não me atrevo mais!
Também conheci outros povoados : caibongo [onde mora o prefeito], mocambo [na parte do município que fica abaixo da serra da mangabeira, região que a maioria das pessoas conhece como catinga] e alvinópolis [já na cidade vizinha : Ibipitanga] - graças aos novos companheiros de aventura Lenice e Tiago.
Por fim, vai uma piada contada por Iraildes, vulgo Véia, prima de Lenice, anfitriã de primeira, da terra do rio Cochó:
"A princesa ia fazer 15 anos. E pediu ao Rei um papagaio como presente de aniversário poucos dias antes da festa. O Rei pediu a um serviçal da corte que fizesse de tudo pra conseguir o bendito do animal. O único bicho da espécie encontrado na região foi um que trabalhava num brega.
O presente foi colocado na portaria do castelo para que todos os convidados vissem. O povo ia chegando e o papagaio dizendo:
- Vai entrando! Vai entrando! Beijo é 10. Abraço é 20. Foto é 50!!!
Lá pras tantas alguém foi avisar ao Rei o que o animal estava fazendo. O Rei mandou trazer o bicho. Prendeu ele bem com as mãos e deu seis tiros ao redor:
- Tá vendo esses tiros? Se você não parar com essa conversa na portaria o próximo vai ser nos seus miolos!!!
E mandou o bicho de volta.
Na portaria o animal passou a receber os convidados dizendo:
- Vai entrando! Vai entrando! Beijo é 10. Abraço é 20. Foto é 50!!! Já teve uns tirinho ai, mas Brega é assim mesmo!!!"
Que bom que nem tudo é como a gente espera!
Seabra 05 de Agosto de 2007